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Avanços no tratamento do mieloma múltiplo continuam

Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) repercute aprovação de novo medicamento pelo FDA

A agência reguladora americana Food and Drug Administration (FDA) aprovou ontem, dia 23, a substância panobinostat (FARYDAK) para tratamento de mieloma múltiplo, câncer de sangue que altera o funcionamento da medula óssea, e que atinge cerca de 30 mil pessoas no Brasil. A hematologista e pesquisadora Vânia Hungria, membro da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) explica que o panobinostat é um inibidor potente da histona deacetilase, uma nova classe de fármaco incluída no arsenal terapêutico para tratamento de pacientes com mieloma múltiplo. A medicação foi aprovada para pacientes recaídos da doença, após duas linhas de tratamentos anteriores, em combinação com bortezomibe e dexametasona. “É uma nova classe de drogas com comprovada eficácia em pacientes com mieloma múltiplo. O estudo PANORAMA1 analisou a eficácia desta droga, combinada com bortezomibe e dexametasona, e foi baseado nos resultados deste estudo que o panobinostat foi aprovado. Este estudo foi internacional, multicêntrico, com participação de centros de pesquisa brasileiros”, explica a médica. Sob a coordenação da Dra. Vânia Hungria, o centro de pesquisa em mieloma múltiplo da Santa Casa de São Paulo, foi o segundo centro do mundo em número de pacientes recrutados para este estudo. Ainda não há previsão de disponibilidade de vias de acesso no Brasil, pois o laboratório responsável pela patente do panobinostat precisa submetê-lo a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O tratamento para mieloma múltiplo no Brasil é um dos mais precários devido à falta de registro e também de acesso a novas drogas que poderiam aumentar a sobrevida dos pacientes e melhorar a qualidade de vida, como a lenalidomida, que teve o registro negado pela Anvisa por falta de estudo comparativo com a droga atual, que são utilizadas associadamente e também do bortezomibe cujo acesso no Sistema Único de Saúde (SUS) é precário.

Saiba mais:

O mieloma múltiplo é um câncer maligno originário da medula óssea, tecido formador de célula de sangue que está no corpo todo, e pode ser assintomático ou sintomático, ou seja, ter sintomas que se manifestam – como anemia, fraqueza e dor nos ossos – ou não, quando a doença é diagnosticada precocemente. A doença é originária dos plasmócitos, células responsáveis pela produção dos anticorpos que são proteínas que identificam e destroem agentes infecciosos (imunoglobulinas).