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Brasileiro vence ASH Global Research Award e desenvolverá pesquisa sobre CAR T-Cell no país

Único brasileiro na lista, pesquisador da FMUSP/RP receberá bolsa de 150 mil dólares para desenvolver pesquisa pelos próximos três anos

O médico brasileiro Renato Cunha recebeu em junho o prêmio ASH Global Research Award, oferecido pela American Society of Hematology (ASH) para jovens cientistas. Cunha receberá uma bolsa de três anos no valor de 150 mil dólares para desenvolver a produção de linfócitos geneticamente modificados, conhecido como CAR T-cell (Chimeric Antigen Receptors), na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Os resultados poderão ser revertidos para o tratamento de câncer no sistema público de saúde.

“É um tratamento caro e que requer um desenvolvimento científico importante. Temos agora uma oportunidade de desenvolver esta tecnologia no Brasil. A expectativa é que possamos construir uma plataforma de pesquisa para desenvolver o CAR T-Cell com tecnologia 100% brasileira”, diz Cunha.

O CAR T-Cell é utilizado nos Estados Unidos e Europa para o tratamento de câncer, como leucemias e linfomas. A terapia consiste em modificar geneticamente células T para torná-las mais eficazes no combate ao câncer.

No ano passado a FDA (Food and Drug Administration), agência americana que regula vigilância sanitária nos Estados Unidos, aprovou a primeira terapia gênica do mercado para leucemia linfoide aguda. Porém, mesmo nos EUA e Europa, o tratamento é caro, chegando a custar 475 mil dólares, algo em torno 1,8 milhão de reais.

 

Com a pesquisa sendo desenvolvida no país, nos próximos anos o tratamento poderá ser realizado totalmente no Brasil e em instituições públicas. Atualmente centros especializados estudam importar a tecnologia, porém o alto custo poderá ser um grande obstáculo à disseminação desse tipo de tratamento.

O prêmio tem como objetivo incentivar a pesquisa em hematologia em todo o mundo por meio de jovens pesquisadores. O ASH Global Research Award exige que o cientista tenha menos de 15 anos de formado e o trabalho seja orientado por um pesquisador local e outro global. No Brasil, o Dr. Eduardo Rego, coordenador do Comitê de Leucemias Agudas da ABHH e professor da FMUSP/RP, será o mentor local do trabalho. Já o Dr. Ronald Gress, do National Cancer Institute, nos EUA, será o orientador global.

O Dr. Renato Cunha tem 40 anos e é formado em Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia, com doutorado pela FMUSP/RP e Université de Paris-Diderot e Pós-Doutorado em transplante de medula óssea e terapia celular pelo National Cancer Institute.